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Consignado privado pode chegar a R$ 300 bilhões, mas inadimplência exige atenção


O consignado privado vive um período de forte expansão no Brasil. A modalidade já movimenta aproximadamente R$ 117,7 bilhões e pode alcançar R$ 300 bilhões nos próximos dois anos, segundo estimativas do mercado e do Ministério do Trabalho.

O crescimento ganhou força após a reformulação realizada pelo Governo Federal em março de 2025. Com a integração ao eSocial e o fim da necessidade de convênios diretos entre empresas e instituições financeiras, a contratação passou a alcançar um número maior de trabalhadores.

Atualmente, cerca de 47 milhões de profissionais com carteira assinada fazem parte do público potencial da modalidade. Como a penetração ainda está próxima de 20%, bancos e fintechs enxergam um espaço significativo para novas contratações.


Crédito mais barato não significa crédito sem risco


O consignado privado pode ser utilizado para substituir dívidas mais caras, como cartão de crédito, cheque especial e empréstimos pessoais com juros elevados.

Por ter as parcelas descontadas diretamente do salário, a modalidade costuma oferecer taxas menores. Entretanto, essa facilidade não elimina os riscos para o trabalhador.

Antes de contratar, é necessário avaliar quanto da renda já está comprometido, quais despesas precisarão ser mantidas durante o financiamento e se haverá espaço no orçamento para imprevistos.

Quando essa análise não acontece, uma parcela aparentemente pequena pode comprometer o salário durante muitos meses e limitar a capacidade de organização financeira.


Inadimplência chegou a 10%


Ao mesmo tempo que o consignado privado cresce, a inadimplência também avança. Em julho, o índice chegou a 10%, o maior nível da série histórica do Banco Central.

O número mostra que o desconto em folha não garante, sozinho, a segurança da operação. Em situações de demissão ou mudança de emprego, o pagamento pode deixar de ser descontado normalmente e a dívida continuar existindo.

O trabalhador que perde sua principal fonte de renda pode passar a enfrentar dificuldades para manter as parcelas, justamente em um momento de maior vulnerabilidade financeira.

Por isso, a expansão do consignado precisa ser acompanhada de critérios responsáveis para concessão, acompanhamento contínuo e orientação adequada.


O consignado deve fazer parte de uma estratégia


Contratar um empréstimo para quitar outra dívida pode ser uma boa decisão quando existe redução efetiva dos juros e organização do orçamento.

Por outro lado, utilizar o consignado para liberar limite no cartão ou continuar gastando sem mudar o comportamento financeiro pode apenas transferir o problema de uma modalidade para outra.

Antes da contratação, é importante analisar:

  1. O valor total que será pago durante o contrato.
  2. A taxa de juros mensal e anual.
  3. O percentual do salário comprometido.
  4. A possibilidade de antecipar parcelas.
  5. O impacto da prestação nas despesas essenciais.
  6. A existência de dívidas mais caras que realmente serão substituídas.
  7. A capacidade de pagamento em caso de redução ou perda da renda.

Sem essa avaliação, o crédito mais barato também pode contribuir para o superendividamento.


Empresas também precisam acompanhar esse movimento


Embora a contratação seja realizada diretamente pelo trabalhador, o crescimento do consignado produz impactos no ambiente corporativo.

Colaboradores com parte relevante do salário comprometida podem apresentar mais preocupação, ansiedade, perda de concentração e dificuldades para lidar com despesas inesperadas.

Para as áreas de Recursos Humanos, o desafio não deve ser controlar as escolhas individuais, mas oferecer acesso a orientação financeira confidencial e ajudar os profissionais a compreenderem as consequências de cada decisão.

O acompanhamento também permite identificar tendências coletivas sem expor informações individuais, apoiando a criação de ações de prevenção mais adequadas ao perfil da equipe.


Bancos e financeiras podem atuar antes da inadimplência


Com uma carteira que pode alcançar R$ 300 bilhões, prevenir a inadimplência será tão importante quanto ampliar a concessão.

Bancos, financeiras e fintechs precisam ir além da análise realizada no momento da contratação. Mudanças na renda, aumento das despesas, uso excessivo de outros créditos e atrasos recorrentes podem indicar uma deterioração da saúde financeira antes que a dívida deixe de ser paga.

Soluções de acompanhamento e orientação podem ajudar o cliente a reorganizar o orçamento, priorizar compromissos e procurar uma renegociação enquanto ainda existe capacidade de pagamento.

Essa atuação beneficia tanto o consumidor quanto a instituição financeira, reduzindo riscos e fortalecendo um relacionamento mais sustentável no longo prazo.


Conscientização deve crescer junto com a oferta


O consignado privado pode cumprir uma função importante ao oferecer juros menores e permitir a substituição de dívidas mais caras. Porém, seu crescimento precisa acontecer de maneira responsável.

Ampliar o acesso ao crédito sem melhorar a capacidade de decisão do trabalhador pode aumentar o comprometimento da renda e produzir uma nova onda de inadimplência.

Na SeuDin, ajudamos empresas, bancos e instituições financeiras a acompanharem a saúde financeira das pessoas por meio de tecnologia, orientação personalizada e ações de prevenção.

Porque oferecer crédito é apenas uma parte da solução. Também é necessário ajudar cada pessoa a entender quanto realmente pode comprometer hoje sem prejudicar seus objetivos e sua qualidade de vida no futuro.



Fonte: Forbes Brasil.