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Inadimplência do consignado privado atinge maior nível em 15 anos


A inadimplência do consignado privado destinado aos trabalhadores CLT atingiu 10% em julho, o maior índice da série histórica iniciada em março de 2011.

Segundo dados do Banco Central divulgados pelo InfoMoney, o percentual considera contratos com parcelas atrasadas há mais de 90 dias. Em junho, o índice já havia alcançado 8,7%. Em novembro do ano passado, estava em 5%.

Em poucos meses, portanto, a inadimplência dobrou. O crescimento acelerado acende um alerta sobre a forma como o crédito consignado vem sendo contratado e utilizado pelos trabalhadores brasileiros.


Desconto em folha não elimina o risco de inadimplência


O consignado costuma ser apresentado como uma modalidade de crédito mais segura por ter as parcelas descontadas diretamente do salário. Essa característica também permite que as instituições financeiras ofereçam taxas de juros menores do que as praticadas em modalidades como cartão de crédito e cheque especial.

Isso, porém, não significa que o empréstimo esteja livre de riscos.

Mesmo com o desconto automático, mudanças no vínculo de trabalho, redução da renda, comprometimento excessivo do salário e falta de organização financeira podem dificultar o pagamento das parcelas.

Quando a contratação acontece sem uma análise adequada do orçamento, o trabalhador pode assumir uma dívida que parecia acessível inicialmente, mas que passa a comprometer despesas básicas e outras obrigações financeiras.


A ampliação do acesso exige mais orientação


A reformulação do consignado privado ampliou o acesso à modalidade para trabalhadores com vínculo CLT. Antes, a contratação dependia principalmente de convênios firmados entre as empresas e as instituições financeiras, o que restringia o crédito a uma parcela menor do mercado.

Com a ampliação, milhões de trabalhadores passaram a ter acesso mais fácil ao consignado.

A facilidade de contratação pode ajudar quem precisa substituir uma dívida cara, organizar uma emergência ou financiar um objetivo importante. No entanto, o crédito só cumpre esse papel quando a parcela cabe no orçamento e existe um planejamento para o pagamento.

Caso contrário, o trabalhador apenas troca uma dívida por outra e passa a receber um salário menor todos os meses, reduzindo ainda mais sua capacidade de manter as contas em dia.


Antes de contratar, é preciso avaliar o impacto no salário


A decisão não deve considerar apenas o valor da parcela ou a taxa de juros oferecida. É necessário analisar toda a situação financeira do trabalhador.

Antes de contratar um consignado, é importante entender:

  1. Qual será o valor líquido do salário após o desconto da parcela;
  2. Quanto da renda já está comprometido com outras dívidas;
  3. Se o orçamento comporta a parcela durante todo o contrato;
  4. Qual é o custo total do empréstimo;
  5. Se existe uma dívida mais cara que realmente será quitada;
  6. Como o trabalhador pagará despesas básicas e imprevistos;
  7. O que acontecerá com a dívida em caso de desligamento da empresa.

Quando esses pontos não são avaliados, uma parcela aparentemente pequena pode provocar um desequilíbrio durante vários meses ou até anos.


O consignado pode resolver ou agravar o problema


O consignado pode ser uma ferramenta útil quando utilizado de maneira planejada. Em muitos casos, ele permite substituir dívidas mais caras e reduzir o custo dos juros.

Mas essa substituição precisa ser acompanhada de uma mudança na organização financeira.

Se o trabalhador contrata o consignado para quitar o cartão de crédito e volta a utilizar o limite sem controle, por exemplo, ele passa a acumular a parcela descontada do salário com uma nova fatura. Em pouco tempo, a situação pode ficar ainda mais difícil.

Por isso, a contratação do crédito deve fazer parte de um plano que identifique a origem do desequilíbrio, reorganize as despesas e evite a formação de novas dívidas.


O impacto também chega às empresas


O endividamento não permanece apenas na vida pessoal do colaborador. A preocupação constante com dívidas pode provocar estresse, ansiedade, perda de concentração, dificuldade para tomar decisões e queda de produtividade.

Para o RH, oferecer acesso ao crédito sem disponibilizar orientação financeira pode não ser suficiente para melhorar a realidade dos colaboradores.

As empresas podem contribuir oferecendo acompanhamento confidencial, diagnóstico financeiro e suporte individual para que cada pessoa consiga entender sua situação e tomar decisões mais conscientes.

Também é importante acompanhar indicadores coletivos de saúde financeira sem expor informações individuais. Dessa forma, o RH consegue identificar os principais desafios da equipe e desenvolver ações mais adequadas às necessidades dos colaboradores.


Orientação financeira antes e depois do crédito


O aumento da inadimplência mostra que o acesso ao consignado precisa vir acompanhado de orientação, planejamento e acompanhamento.

Antes da contratação, o trabalhador deve avaliar se a parcela realmente cabe no orçamento. Depois, precisa acompanhar sua evolução financeira, controlar novas despesas e garantir que o crédito esteja ajudando a resolver o problema para o qual foi contratado.

Na SeuDin, os colaboradores recebem apoio para organizar o orçamento, avaliar dívidas, entender propostas de crédito e construir um plano financeiro adequado à sua realidade.

O objetivo não é apenas facilitar o acesso ao dinheiro, mas ajudar cada pessoa a tomar decisões que melhorem sua saúde financeira no longo prazo.

Crédito pode ser parte da solução. Sem planejamento e acompanhamento, porém, pode se transformar em mais uma dívida difícil de pagar.



Fonte: Banco Central, via InfoMoney.